Uma delícia de formigueiro
Sabe quando você está entre uma ida e outra ao supermercado, a despensa e a geladeira quase vazias, mas teima em cozinhar?
Sabe quando você está entre uma ida e outra ao supermercado, a despensa e a geladeira quase vazias, mas teima em cozinhar?
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A simplicista...
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Alguém já viu essas lâmpadas de chili para vender no Brasil?
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Temperatura cai lá fora, na cozinha as sopas retomam lugar de destaque.
Sopa de ervilha
- 500 gramas de ervilha seca
- 1 litro de caldo de frango
- 1/2 cebola picadinha
- bacon cortado em cubinhos
- 1/2 lata de creme de leite
- Sal e pimenta a gosto
Deixe a ervilha de molho por pelo menos quatro horas. Troque a água de vez em quando.
Coloque o bacon para fritar na própria gordura na panelaça onde fará a sopa. Assim que estiver pronto, retire e frite ali a cebola. Depois acrescente a ervilha escorrida, refogue um pouco e acrescente o caldo.
Depois de cozido, bata o conteúdo da panela no liquidificador. Retorne para o fogo com o creme de leite, mas não deixe ferver. Acerte o sal e a pimenta e sirva imediatamente, com os cubinhos de bacon por cima e uma torradinha de pão integral.
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Fazer criança comer (bem) é um suplício. Para vencer esse obstáculo, procuro repetir as poucas comidas que me faziam raspar o prato quando criança - e isso, amigos, era raríssimo.
(Momento confissão:
Eu, a Simplicista, era uma peste na hora do almoço. Dava baile em todo mundo. Ficava até 15h sentada à mesa, de bunda quadrada, sem comer nada. Não adiantava reza ou ameaça. Salada, só coloquei na boca depois de grande. Meu pai, pediatra, vivia suspirando e dizendo que eu era a desgraça dele - como diria para as mamães-pacientes que deveriam fazer seus filhotes comerem se ele tinha uma filha pau-de-virar-tripa?)
Um dos pratos que eu gostava era a "eishpuminha de cocó" - o "eish" vem do sotaque carioca da minha mãe, cocó era uma forma lúdica de me fazer gostar de frango. E dá-lhe eishpuminha semana sim, a outra também... ;)
Espuminha de cocó
- 500 gramas de peito de frango
- 1/4 de cebola, picadinha
- 1 colher de sopa de azeite
- 1 xícara de água
- 1 lata de tomate pelado ou molho de tomate
- 4 ovos, claras e gemas separadas
- 3 colheres de sopa de farinha de trigo
- 1 colher de café de fermento
- Queijo parmesão (ou outro queijo) ralado
- Sal e pimenta a gosto
- Salsinha picada, se quiser
Limpe o frango e corte em pedaços grandes, no sentido da fibra. Esquente o azeite, refogue a cebola e depois inclua os pedaços de frango. Refogue um pouco e coloque a água, mais sal, para cozinhar. Tampe e mexa de vez em quando, até ficar macio.
Tire da panela, deixe esfriar um pouco e desfie todo. Volte o frango desfiado para a panela com o tomate pelado (corte bem pequenininho os tomates), a pimenta e a salsinha. Mexa e acerte o sal. Reserve.
Misture os ingredientes secos com um pouco de sal. Bata as gemas ligeiramente. Bata as claras em neve, então misture delicadamente as gemas e os ingredientes secos.
Ligue o forno para preaquecer. Unte um refratário médio com manteiga ou margarina e disponha, no fundo, o frango. Nivele. Coloque uma camada de queijo e, por cima, a mistura de ovos, delicadamente. Nivele. Asse em forno médio até dourar. Deixe esfriar um pouquinho antes de servir.
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Um dos meus sítios favoritos de comida chama-se La Tartine Gourmande. Além das fotos e receitas sensacionais, a autora adora tartlets em geral: supermeidentifico! :)
Tinha uma sobra da massa usada na torta-quiche de cogumelos e resolvi testar uma das receitas dela, uma mistura de dois pratos tradicionais franceses, o tarte tatin e o ratatouille. Dei uma bela adaptada com os (poucos) ingredientes que tinha em casa - senti falta especialmente de ervas. Ainda assim, ficou bastante honesto e merece ser aprimorado.
A receita original você encontra aqui.
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Mais uma da série "fungos invadem minha cozinha".
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Passei na Liberdade no fim de semana e aproveitei para comprar cogumelos e nirá (além de outras coisinhas... rs) a um preço mais justo do que encontro no supermercado.
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Aí uma amiga querida trouxe um montinho de ramos de alecrim perfumadíssimo para mim.
Aí lembrei de uma receita da Rita Lobo, no Panelinha, e resolvi fazer. Mas não deu certo... Ficou massudo demais, fofo de menos, com pouco sal. Terá sido falta de sova? Deveria ter deixado mais na batedeira? Foi o fermento? O tempo cinzento e friorento?
Bom, aí está a receita. Será que alguém sabe o que aconteceu?
Pão integral de alecrim
- 2 ramos de alecrim
- 1 xícara de água morna
- 2 xícaras de farinha de trigo
- 1 xícara de farinha de trigo integral
- 10 gramas de fermento seco para pão
- 3 colheres de sopa de azeite de oliva
- Óleo de canola para untar
- Sal a gosto (usei uma colher de sobremesa rasa; não foi suficiente)
Desfolhe um dos ramos de alecrim e reserve. Numa panelinha, coloque a água e o ramo inteiro de alecrim. Leve ao fogo médio e, quando ferver, desligue. Retire o alecrim.
Numa tigela grande, misture bem as farinhas e o fermento. Faça um buraco no centro, acrescente a água morna, o azeite e o sal. Trabalhe a massa do centro para fora, incorporando os ingredientes até formar uma bola.
Sob uma superfície enfarinhada, sove a massa de pão por 10 minutos até ficar lisa e elástica. Faça uma bola com a massa. Unte o fundo de uma tigela grande com azeite. Coloque a massa e pincele-a com um pouco de azeite. Cubra com um pano de prato limpo e deixe crescer por 1 hora ou até dobrar de tamanho.
Transfira a massa crescida para uma superfície enfarinhada e aplaine com os dedos. Salpique com as folhas de alecrim. Dobre a massa e sove-a até que as folhas estejam uniformemente distribuídas. Modele o pão em formato ovalado com cerca de 25 x 10 cm. Unte uma assadeira grande com óleo. Transfira a massa para a assadeira e faça cortes superficiais no sentido da largura do pão. Pincele com o azeite de oliva restante, cubra e deixe crescer por 30 minutos.
Preaqueça o forno a 180°C (temperatura média). Pincele o pão com mais azeite e leve ao forno para assar por cerca de 35 minutos ou até que esteja dourado. Para verificar se está assado, bata na parte de baixo do pão (como se estivesse batendo numa porta) e observe se produz um som oco. Caso contrário, deixe assar mais um pouquinho. Quando pronto, coloque o pão sobre uma grade e deixe esfriar.
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Quando era criança, fui com a família passear na serra fluminense. Minha avó nasceu por ali, filha de uma franco-suíça.
Em determinado momento, paramos em uma lojinha na estrada de Muri. Ali estão os biscoitos amanteigados mais deliciosos que já provei na vida! Até hoje lembro do cheiro, do gosto e de como derretiam na boca. Nunca mais voltei, infelizmente.
Dia desses fiquei com uma vontade louca de comer biscoitos amanteigados. Os de Muri seriam impossíveis. Então lembrei de uma receita que havia visto em um blog amigo e coloquei a mão da massa. Deu trabalho, mas matou minha vontade.
A receita vem do Café da Nysa. Entre parênteses, em itálico, coloquei minhas observações.
Biscoitos da Hilda
- 300 gramas de farinha
- 150 gramas de manteiga
- 125 gramas de açúcar
- 1 ovo
- Marmelada de morango ou outra fruta; é preciso é ser vermelha (usei goiabada dissolvida em um pouco de água, em banho-maria, e perfumada com um pouco de noz moscada e cardamomo)
Misturar os ingredientes (fora a marmelada) até se obter uma massa consistente e lisa. Depois deixar 1 hora na geladeira (a minha ficou trocentas horas gelando e ainda assim funcionou).
Abra a massa (em uma superfície farinhada é melhor, porque ela fico um pouco grudenta à medida que chega perto da temperatura ambiente, digo, dos 35°C que fazia em SP no dia em que cozinhei - aliás, a cada fornada colocava a massa de volta na geladeira, para firmar um pouco).
Corte os biscoitos com as forminhas – uma metade com buraco e a outra metade sem. Eles vão ao forno preaquecido por uns 20 minutos (no máximo). Deixe esfriar sobre uma grade.
Os biscoitos sem buraco são untados com a marmelada e depois põe-se o biscoito com o buraco por cima. Deixe secar. Por fim podem ser ainda polvilhadas com açúcar de confeiteiro, pois os biscoitos não são muito doces (no meu caso, polvilhei as metades com buraco antes de montar os biscoitos. Ah, e recomendo uma geléia mais azedinha, porque achei que a goiabada + açúcar deixaram os biscoitos um pouco doces demais).
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Na semana passada, a Nina Horta publicou um texto lindo, lindo em sua coluna de quinta na "Folha".
NINA HORTA
Nhoct, ploct, tchiiii, tloc-tsssss...
O espremedor de laranja só pára de zoar quando acabam as laranjas e as mexericas
PARA MIM é fácil reconstruir o mundo pelos cheiros; já pelos sons, tenho mais dificuldade. Estou com saudade de Paraty e me dei ao luxo de ficar lembrando do acordar sossegado, sem despertador, uma vassoura raspando a terra dura e a pedra do terraço. Como fundo, a cachoeira que não pára nunca, o grito agudo de uns pássaros matutinos e uma cortina impenetrável de zumbido de insetos.
Mais longe, a lenha crepitando. Mais perto, o acendedor de gás, umas tampas de panela desmontando, o leite fervendo na panela.
A casa é de madeira, e os sons atravessam as frestas como as andorinhas das cornijas. Um cachorro se coça na porta da cozinha e sai guinchando com um grito abafado de alguém. As galinhas e os galos se lixam para os que dormem e põem a boca no mundo, anunciando o dia e o ovo.
A geladeira tem um zumbido peculiar, a torneira pinga e, de repente, o telefone toca, o coração dispara, deve ser o namorado da menina. É esse barulho de telefone que começa a nos preparar para os aviões que passam baixo e os helicópteros das férias.O espremedor de laranja só pára de zoar quando acabam as laranjas e as mexericas. E então se escuta o capim sendo ceifado, uma ou outra conversa de cavalos e de burros, abelhas, grilos, cigarras.
A mesa de café está sendo posta, os passos descalços vão daqui para lá com as xícaras e os pires. Na televisão, em São Paulo, de vez em quando aparecem as vinhetas para surdos. Qualquer barulho difícil -e quase todos os barulhos são difíceis de traduzir- eles escrevem "borborinho" (sic). Complicado, para os surdos, carros que passam, pessoas que conversam, fuga do lugar do crime, seis mulheres conversando, é tudo "borborinho".
Fico pensando se o sítio também não tem sons muito destacáveis, difíceis de serem separados uns dos outros, é só um burburinho que não atrapalha ninguém. Dá para entender a água fervendo que explica o café, a máquina de moer os grãos ajudando na interpretação. Somos a audiência, os atores, os compositores nesta sinfonia doméstica doce e ritmada que não tem fim.
Os sons da natureza são harmoniosos, a chuva, quando cai num escândalo, dá medo, mas não é feia de se escutar, tem lá sua dignidade. Mas uma música a toda altura dentro de um barco no mar muito calmo e azul dá tontura. Quem sabe deveria haver uma faculdade que nos ensinasse a arquitetar os sons de uma cidade?
E ainda vai ter mão de pilão socando alho, faca afiando na pedra, feijão sendo catado, o processador virando as torradas em farinha de rosca, o bife chiando na frigideira, a casca do ovo se quebrando na tigela, o ovo sendo batido, a torneira pingando, a taioba batida com o facão e a tábua da salsa e cebolinha soando desequilibrada sobre a pia.
A banana vai fritar na manteiga para a torta, a porta do forno quebrada vai bater com força, se Deus quiser vai ter nhoct, ploct de jabuticaba, coco verde cortado para beber a água, o estalar da mordida da maçã, a melancia pesada rolando pelo chão, o som certeiro do facão eliminando a coroa do abacaxi, o tchiiii do frango grudando na panela, a massa do pão sovado, a prateada escamação do peixe, o estalo da ostra, um sugar humano de perninha de siri, outro de chupar caroço de manga, a salsicha boa que estala ao ser mordida, o tloc-tsssss da lata de Coca.
A banana não faz barulho, descasca baixinho, mas o doce se arrebenta em bolhas. É bom, assim. Tem algumas religiões que procuram o silêncio e será que conseguem?
Podíamos falar menos, evitar aquela gritaria histérica de propaganda tipo Casas Bahia, sorteio de barra de ouro, os oops de Big Brothers desassuntados, mas, não sei não, le silence éternel de ces espaces infinis m'éffraie.
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Cada pessoa percebe o som (e o silêncio) de forma diferente: com eles, os pequenos barulhos que se fazem e faltam, tenho me reconstruído. Não escuto mais as sentenças complexas que vinham da gatinha Marieta quando eu chegava em casa, nem das súplicas que subiam de volume quando cozinhava aves, nem do prrrrrrrrrrr gostoso quando estava no colo, nem do miado leve e curto que pedia atenção enquanto eu fingia dormir, naquele momento em que o mundo é só sons e sentidos.
Em compensação, a irmã Kika, antes eclipsada, agora se arrisca mais. É voz diferente, meio rouca. À noite, sem ninguém por perto, mia mais alto procurando a irmã que não está. Aos poucos aprendo esse novo vocabulário e suas sutilezas. Ela aprende o silêncio do dia e a dialogar comigo à noite.
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