29.12.07

Quem vê cara não vê coração

Numa escala em Paris, casal amigo, dois queridíssimos, nos abasteceu de queijos franceses, comprados do queijeiro favorito, da estirpe que só abre as portas quando a temperatura cai. (Guilherme e Bia, abençoados!)

Isso significa que temos em casa um verdadeiro camembert - não esses "tipo camembert" que encontramos pelos olhos da cara nos freezers de São Paulo.

Mas isso significa também que nossa cozinha fede horrores! Poderia jurar que minhas gatas mataram a empregada e esconderam pedaços do corpo na gaveta de legumes. Mas vale a pena enfrentar o cheiro forte: o queijo é cremoso, saboroso, excepcional. Se tiverem a oportunidade de comprar um desses (espero que pessoalmente, em Paris!), não percam.

**************

Nem tenho mais cara para justificar minha longa ausência. Juro que foi excesso de trabalho e atribuições cotidianas, não desistência, tá? Simplesmente não cozinhei mais, um horror.

Já 2008 começa com novas e luminosas perspectivas. A família se inspirou no blog e me deu várias ferramentas para experimentar novos pratos. Até compramos uma nova câmera para melhorar as fotos daqui.

Então desejo a todos um ótimo ano novo, cheio de sabor e alegrias, tantas quantas vocês me proporcionaram em 2007.

21.11.07

A insustentável leveza do ser

Você conhece aquela teoria de quebra das calorias?*

Funciona assim:
- Se você toma refrigerante light e come um Big Mac, você zera as calorias do lanche;
- Se você come um pão amassado na chapa, você também amassa as calorias;
- Se você corta um bombom pela metade e come uma de cada vez, também corta as calorias pela metade - o mesmo vale para biscoitos recheados separados;
- Se você come fritura com salada, vale apenas as calorias baixas dos verdes
* Livremente inspirado em um spam antigo, porém com temática atual
* É piada, tá?

Salada:
- Folhas verdes
- Aspargos verdes
Lave as folhas e deixe-as de molho em água com vinagre por 20 minutos, para matar bichinhos indesejáveis. Tire do molho, passe uma água e escorra bem. Tempere a gosto.

Use uma panela em que os aspargos caibam inteiros. Coloque água suficiente para cobri-los (sem colocá-los ainda) e leve ao fogo. Enquanto isso, lave os aspargos com cuidado e corte a parte branca e dura. Quando ferver, abaixe o fogo, acrescente sal e os aspargos. Deixe pouco, uns 2 a 3 minutos. Escorra-os e passe imediatamente em água fria, para interromper o cozimento. Tempere com um bom azeite.

Arancini:
- Risoto do dia anterior, mais ou menos 1 1/2 xícara
- 1 ovo
- Farinha de trigo
- 2 colheres de sopa de queijo parmesão
- Uma pitadinha de sal
- Farinha de rosca para cobrir

Bata o ovo ligeiramente, apenas para misturar a clara e a gema. Misture bem com o risoto, o queijo parmesão e o sal. Acrescente a farinha de trigo aos poucos, até dar liga. Faça bolotas (pode colocar pedaços de mussarela ou outro queijo derretento no meio, se quiser), passe na farinha de rosca (gosto de misturar um pouco de pimenta à farinha) e frite por imersão em óleo quente.

Escorra bem em papel-toalha para escoar as calorias e sirva com a salada, para zerá-las de vez.

20.11.07

Primavera silenciosa

É, eu sei. Estou superdistante do blog. Mas não percam a esperança, tá? Eu volto, juro que volto.

Enquanto isso, aqui vai uma receitinha gostosa e quente para esta primavera com noites gélidas.

PP (Pasta primavera)
(Para duas pessoas famintas)
- Penne ou farfalle
- 1/2 pimentão vermelho
- 1/2 pimentão amarelo
- Pimenta verde (o original é feito com pimentão verde)
- 100 gramas de bacon em cubinhos
- 1 colher de sopa de manteiga
- Sal a gosto

Coloque a água da massa para ferver. Enquanto isso, pique os ingredientes. Quando a água borbulhar, coloque sal, um fio de azeite e a massa.

Em uma frigideira antiaderente, frite o bacon em sua própria gordura, até ficar crocantinho. Reserve. Em uma panela mais alta (precisa comportar a massa depois, ok?), esquente a manteiga, acrescente os pimentões e a pimenta e o sal. Misture bem e deixe ali um tempo. A mistura vai soltar uma aguinha - deixe secar um pouco, mas não muuuiiiitttoooo.

Quando pronta, escorra a massa e misture tudo na panela. Sirva imediatamente, com queijo parmesão.

PS: minha versão veggie não levou o bacon e ficou bem boa!

7.11.07

Acidentes domésticos


Aí estava cortando rodelas de limão para colocá-las sobre um salmão. E aí o limão escorregou e a faca, que havia sido devidamente amolada, pegou o dedo. E lá se foi mais um pedaço de mim.

:(

30.10.07

Doce ao cubo

OOOiiiiiiii!!!!!!!!!!

Voltei, viu?

Foi um longo outubro, com muito suor, poeira, ligações e letras na tela do computador. Também teve noites em claro e noites longas e desmaiadas. Teve reconhecimento profissional e relações irreconhecíveis. Teve Capitão Nascimento, aeroporto lotado, estrada lotada, estrada vazia, cerveja ruim, vinho bom, amigos, namorido, família, ausências e saudades também. Outubro teve muita coisa - menos cozinha.

Novembro se aprochega com algumas expectativas e nervosismos, bons e ruins, no trabalho e em casa. Em outros tempos, seria mais um mês sem me aproximar do fogão. Dessa vez, não vai dar. Acho que estou anêmica (mãe, já marquei uma consulta, tá?) e terei de reforçar a alimentação. Como não mastigo carne vermelha, e não estou disposta a fazê-lo, vou caprichar em comidinhas cheias de ferro. De cara, haja feijão, espinafre e brócolis. Mas isso fica para as próximas postagens.

Hoje vou falar do curso de muffins que fiz no sábado, dica da Laila (moça, que pena não a ter encontrado), no Espaço Docelar. Fiquei meio perdida. Todo mundo parecia super por dentro dos procedimentos, do ponto do glacê, das formas, das densidades. Saí de lá com apenas duas certezas:
- Não faço muffins enquanto não comprar todos os utensílios recomendados;
- Definitivamente eu não gosto de pasta americana.

Seguem duas fotinhos. Estão horrorosas, porque tirei com o celular, que carrega a pior câmera do mercado (viu, seu Motorola?), mas dá para ter uma idéia do que a professora Sandra fez. Espero em breve postar fotos de muffins feitos por mim.

16.10.07

O extraordinário...

...aconteceu. A folga foi auto-cassada e o ritmo continuará pesado no trabalho. Ainda bem, preciso dizer. Portanto, a cozinha permanecerá fechada por mais um tico de tempo.

Enquanto isso, minha contribuição atrasada ao Action Day é: parem de comer carne que vem da Amazônia e exijam certificação de manejo responsável da madeira que utilizarem nos móveis e na construção do imóvel. Ah, e nas próximas férias, pensem seriamente em trocar a Europa ou os Estados Unidos por Anavilhanas.

Pode ser?

8.10.07

Cozinha fechada

Esta semana será impossível. Vou fechar a cozinha por alguns dias e, salvo o extraordinário, volto depois do feriado.

beijos

4.10.07

La quiche


Até pouco tempo atrás, achava que nunca seria capaz de fazer uma quiche. Quando ficava sabendo de algum fulano que conseguia, fica impressionada: "Como assim fulano faz quiche de alho poró?! OOOOHHHHHH"

hehe
Boba, né? Aí tentei um dia. E ficou bom. E aí tentei de novo. E ficou bom de novo. Ainda acho que falta torná-lo memorável - a massa, por exemplo, não é campeã -, mas perdi o medo. Meu próximo objetivo são suflês, aqueles malvados.

Quiche veggie
Massa
- 270 gramas de farinha de trigo
- 125 gramas de manteiga gelada sem sal
- 1 ovo + 1 gema
- 1 colher de sopa de água gelada
- 1/2 colher de chá de sal

Recheio
- 1 abobrinha média cortada em juliana
- 1 talo grandão de alho poró, cortado em rodelinhas finas
- 2 colheres de sopa (e um choradinho) de um bom azeite
- Uma boa pitada de cominho
- Sal e pimenta a gosto
- 3 ovos
- 1/2 copo de leite integral
- 1/4 de copo de creme de leite fresco
- 1 1/2 copo de queijo estepe (mas acho que com gruyère fica melhor)
- Parmesão ralado para polvilhar
Misture a farinha com a manteiga cortada em pedacinhos até virar uma farofa. Acrescente os demais ingrediente e amasse bem, abrindo e dobrando e esmagando até ficar uniforme. Faça uma bola, embrulhe com filme plástico e deixe na geladeira por 30 minutos.

Enquanto a massa descansa na geladeira, corte os ingredientes do recheio e passe o estepe num ralador grosso. Reserve tudo separado. Ligue o forno. Abra a massa com um rolo numa superfície farinhada e forre a forma untada, use o garfo para fazer vááários furos no fundo. Cubra com papel-manteiga, preencha com arroz ou feijão para fazer peso e leve para pré-assar.

Numa panela, esquente uma colher de azeite, acrescente as abobrinhas, o cominho, o sal e a pimenta e deixe cozinhar por uns 10 minutos, mexendo de vez em quando. Reserve.

Enquanto isso, tire a massa do forno e reserve - não desligue o fogo, ok? Numa frigideira grande e antiaderente, coloque a outra colher de azeite, deixe esquentar e acrescente o alho poró. Frite ali por uns 5 minutos, acrescente a abobrinha já pronta e frite mais um pouco, até misturar bem os sabores. Desligue o fogo e deixe esfriar um pouquinho.

Numa tigela, misture os ovos, o leite, o creme de leite, mais um tico de sal e pimenta e misture muito bem com um fouet. Sobre a massa pré-assada, disponha os verdes no fundo, jogue o estepe por cima e regue tudo com o creme. Salpique o parmesão por cima e leve ao forno médio por uns 30 minutos, até ele dourar bem bonito.

3.10.07

Nham!








Quando descrevi aqui as panquecas feitas pelo namorido, citei a versão "almoço pra quê", com Nutella e banana.

Taí a carinha dela.

Bom, bom, bom, bom, bom, bom.

2.10.07

De gostos e músicas

Hoje estou dispersiva pacas. Flanando pelos blogs que gosto, vi um clipe clássico da Nancy Sinatra. Deu vontade de pedir um Manhattan (stirred, not shaken) e, glamourosa num mini de paetês, ver a vida passar no bar.

De letras, livros e sentidos

Normalmente não participo de correntes. Mas, já que foi a Laila a me convidar, não tive como recusar. Além disso, essa me pareceu uma corrente do bem, que não demanda muito tempo, não lota servidores e ainda expõe as letras, minhas companheiras diárias.

Funciona assim: você pega o primeiro livro que estiver na sua frente, abre na página 161 e repete a 5ª frase. Simples. Minha cara.

Pois bem. Onde estou agora, no trabalho, só tenho livro técnico, relatórios, documentos oficiais e não-oficiais e dicionários. O primeiro que bato o olho é o "Manual Merck de Informação Médica". A página 161 fala sobre lipedema, um acúmulo anormal de gordura sob a pele. Penso em todo o lirismo da frase da Laila e, afffe, não dá, né?

Subverto um pouquinho a corrente e procuro um livro mais palatável. Eis que vejo "Promessas do Genoma", do jornalista Marcelo Leite. Vamos lá: "Uma resposta vigorosa a Buttel partiu de Annemieke J. M. Roobeek, para quem a biotecnologia é integrante pleno da associação de tecnologias fundamentais (core technologies), 'que não só alteram dramaticamente a base tecno-industrial (...)" Tá, parei.

Resolvo atacar de Caldas Aulete. É ele quem mais leio mesmo, então é dele que virá minha frase: "Chanfrar (chan.frar) v. td. Cortar em ângulo ou obliquamente, fazer chanfradura em: chanfrar a madeira." Pois aí está! Da próxima vez que fizer uma torta, chanfrá-la-ei todinha!

:)

(Laila, obrigada pela lembrança!)

P.S.: quem quiser participar, fique à vontade. É só blogar. E, se puder, me avise, preu ir lá ler o que você escreveu...

1.10.07

Céticos, tremei



Esse bolo é fantástico porque é rápido e ótimo para o lanche da tarde - e o barato é que você usa as laranjas com casca! Como ninguém acredita que isso seja possível, vai todo mundo experimentar só para saber o gosto. E dá-lhe fatia e mais fatia, até o ceticismo cair por terra.


Bolo de laranja
- 2 laranjas
- 1 xícara de óleo
- 3 ovos
- 1 colher de sopa cheia de fermento
- 2 xícaras de farinha de trigo
- 2 xícaras de açúcar

Lave bem as laranjas e corte as pontas de cima e de baixo - descarte-as. Corte no meio e, novamente, no meio, mas no sentido longitudinal - assim você conseguirá retirar o miolo branco (e amargo) e as sementes.

Coloque os pedaços das laranjas com o óleo em um liquidificador. Bata muito bem, até que a casca não exista mais. Acrescente as gemas, uma a uma, e bata bem.

Numa tigela separada, misture os secos. Junte o que foi batido e misture tudo muito bem, com a ajuda de uma colher de pau. Bata as claras em neve e as incorpore à massa. Asse em forno preaquecido, numa forma untada e farinhada, por uns 30 a 40 minutos, até você espetar um palito no meio e ele sair limpo. Deixe esfriar um pouco.

PS: para quem não tem como bater as claras em neve, dá para jogar os ovos inteiros no liquidificador. Mas aí recomendo usar um pouco menos de óleo, já que o bolo não vai ficar tão incrivelmente fofo.

Calda:
- Suco de 1 laranja
- 1 colher de sopa cheia de açúcar

Leve o suquinho doce ao fogo médio e mexa até dissolver o açúcar. Deixe ferver por uns 2 minutinhos, desligue o fogo e regue o bolo ainda morno - que vai absorver todo o líquido.

27.9.07

Ausência e dica

Ando trabalhando um montão e cozinhando quase nada. A Marieta, aí do lado, não vê a hora de eu retomar os trabalhos com frango... É por pouco tempo, viu?

Enquanto isso, uma dica: a Laila, do Comidinhas do bem, vai participar de um curso de muffins no fim de outubro, o que levou mais algumas blogueiras (inclusive eu) a se inscreverem também. Acontece no Espaço Docelar, em Pinheiros, e é de graça.

Integramos a turma do dia 27 de outubro. Mais informações você consegue aqui.

Esse vai ser meu primeiro curso de culinária! Estou nervosa, que coisa. Será que darei conta? Será que vou estragar todos os muffins e ser reprovada? Aiaiai... Depois eu conto, tá?

25.9.07

Saudosismo

O cardápio do último domingo foi pensado para agradar crianças: panquecas no café da manhã, o quarteto "arroz, feijão, bife e batata frita" (e tomates com orégano) no almoço e pizza no jantar.

Para a sobremesa, desenterrei um clássico dos anos 80: gelatina colorida. Acho que elas até gostaram. Mas eu comi mais.

Gelatina colorida
- 4 pacotes de gelatinas de sabores diferentes, de preferência com cores contrastantes
- 1 lata de creme de leite
- 1 lata de leite condensado
- 1/2 copo de leite
- 1 pacote de gelatina sem sabor

Prepare as gelatinas coloridas de acordo com as instruções, com uma única ressalva: em vez de meio litro para cada uma, use 400 ml, para que fiquem mais firmes. Divida as cores em recipientes diferentes, de forma que elas fiquem rasas. Faça com bastante antecedência, para que endureçam bem (e apenas quando tiver espaço suficiente na geladeira para quatro formas).

Leve o leite ao fogo e dissolva bem ali a gelatina sem sabor. Enquanto ela esfria um pouco, bata o creme de leite (sem soro) e o leite condensado no liquidificador, por uns 4 minutos. Acrescente a mistura de leite e gelatina e bata por mais 3 minutos.

Corte as gelatinas coloridas em cubos e jogue tudo numa forma grande. Jogue a mistura dos leites por cima, misture as cores com cuidado e coloque para gelar por, no mínimo, 2 horas.

24.9.07

Deu no NYT

Estava demorando.

Os cupcakes (desculpem ficar sem tradução, mas não conheço um substantivo adequado em português) foram resgatados dos livros das vovós americanas há certo tempo e viraram moda nos Estados Unidos - famoso que é famoso, por exemplo, tem sua lista de cupcakes favoritos na ponta da língua.

Aí um esquadrão quer limitar o consumo dos cupcakes nas escolas, pois os consideram uma bomba calórica etc etc.


Sério: às vezes eu sinto uma preguiça desse povo...

Ih, dadivei!

Pessoas,
com muito orgulho - e uma boa pitada de vergonhinha - entrei na seleta lista de dadivosas libertas.

Para a dona Dadivosa, abri meu coração e contei como fui virando uma moça prendada, com dois pés na cozinha e um blog de comidas, o que tem me rendido novas amizades e um namorido que às vezes me ama (quando a experiência do dia dá certo) e às vezes me odeia (quando a experiência dá muito certo e ele sai do status muito magro para magro).

Obrigada novamente à Dadivosa e a quem entra nesta casinha virtual - que já está maior do que a real, veja você.

21.9.07

Limão com mel

Essa receita minha amiga Lu Coelho fez ontem à noite (por isso o nome). Vou deixar aqui para me lembrar e inspirar.

Frango da meia-noite
- 400 a 500 gramas de filé de frango
- 1 limão
- 1/2 cebola
- 1 colher de sopa de mel
- 2 colheres de chá de mostarda de Dijon
- Um pouco de gengibre em pó
- Sal e pimenta a gosto
- Azeite

Limpe e corte o frango em tiras gordinhas, mais ou menos três por pedaço. Deixe de molho no suco de limão, sal, pimenta e gengibre em pó por 1 hora.

Pique a cebola e aqueça no azeite em uma frigideira, depois despeje o mel para glacear. "O legal é deixar o mel pegar bem na cebola antes de pôr o frango", diz a autora. "Quando estava dourando, pus o frango e, no finzinho, duas colherinhas de mostarda de Dijon - bem pouco, para não roubar o gosto das outras coisas. Ficou boooooooom."

Ela serviu com legumes (berinjela, abobrinha e tomate) com pouco tempero, mas afirma acha que funcionaria melhor com arroz.

O samba do pirarucu verde

O pirarucu é um bichão das várzeas amazônicas, conhecido como "bacalhau de rio": salgado e seco, lembra um pouco mesmo seu primo, e é preparado de forma bastante parecida. Entrou na minha lista dos melhores peixes do mundo logo após a primeira garfada do pirarucu especial do Piracatu, em Santarém, acompanhado de uma Cerpinha (ou "Cerpínia", com sotaque).

Pois estava eu no Pão de Açúcar no sábado à noite, atrás de um salmão para um jantar rápido, quando duas postas de pirarucu começaram a me chamar de um cantinho do congelador. Imediatamente o sabor que conhecia veio à minha mente e peguei o peixe.

A empolgação nublou a racionalidade. Não lembrei que 1) o peixe estava congelado, então preparar o jantar não seria rápido; 2) nunca havia preparado pirarucu na minha vida e não sou uma expert no preparo de peixes; e 3) o namorido não é grande fã de peixes (apesar de gostar do monstrão amazônico). Já em casa, ele foi colocando as questões acima com delicadeza. E mais uma: o peixe estava meio verde!

Antes que eu me desesperasse, ele saiu para comprar Cerpínias para a gente enquanto eu descongelava o bendito no microondas. A casa ficou fedendo a maresia - apesar da origem fluvial do bicho, veja bem. O peixe recuperou uma cor saudável, mas aí foi o namorido que ficou verde, por causa do cheiro forte desprendido. Fui em frente - o máximo que podia acontecer seria pedirmos uma pizza. Depois de eu sambar muito, por duas horas e meia, ele gostou e comeu tudo. A minha posta ainda ficou com um pouco de gosto de maresia, mas ok.

Segue o que fiz. Se alguém souber como lidar adequadamente com o pirarucu, por favor, ajude. Da próxima vez, estou a fim de mergulhar as postas no leite de coco - ou voltar para Santarém...

Pirarucu com "castânias"
Peixe
- Duas postas de pirarucu
- Sal e pimenta a gosto
- Vinho branco
- Suco de 1 limão
- Uma pitada de cardamomo em pó
- 1 cebola
- Azeite
As postas ficaram marinadas nesta mistura, para tentar reduzir a maresia. Enquanto isso, acendi o forno para preaquecê-lo, cortei a cebola em fatias e as coloquei em um refratário. Reguei com azeite.

Esquentei uma frigideira antiaderente e coloquei um pouco de azeite. Coloquei uma posta de cada vez, uns 4 minutos de cada lado. Depois foram para esta cama de cebolas. Borrifei mais um pouquinho de vinho, joguei mais um pouco de azeite, cobri com papel-alumínio e levei ao forno por uns 20 minutos, enquanto preparava as "castânias".

Farofa de "castânias"
- 1/4 de cebola picadinha
- 1 colher de sopa de pasta de castanhas-do-Pará
- 1 colher de sopa de manteiga
- Um montão de azeite
- Sal e pimenta-do-reino
- Uma pitada de cominho
- Salsinha picada

Numa frigideira, derreti a manteiga com o azeite e acrescentei as cebolas, até reduzirem. Coloquei os demais ingredientes. A pasta de castanhas, danada, absorveu toda a gordura, então o que deveria ser molho virou uma farofinha úmida, que cobriu o peixe. Para acompanhar, arroz basmati e creme de cenoura.

20.9.07

Corrente do bem

Tão maluca essa vida, não? Um ano atrás, eu estava no meu mundinho, cuidando da minha vidinha e cozinhando de vez em quando, achando que era uma doidivanas por curtir panelas.

Hoje eu mantenho um blog de comida, sinto falta de visitar minhas amigas virtuais e experimento receitas e dicas de lugares distantes no meu dia-a-dia, com uma naturalidade que ainda me impressiona. Escancarei minha verve caseira, enriqueci meu cotidiano, incorporei na minha vida pessoas que não conheço pessoalmente e me aproximei de outras que estavam distantes.

Aqui está um exemplo do que falo. Estava com um monte de maçãs em casa, mas não queria fazer torta nem strudel. Queria porque queria bolo. Comecei a procurar nos blogs amigos e nos blogs dos amigos dos amigos. Caí no site da Dadivosa, onde encontrei a receita ideal.

Pois a receita da Dadivosa, veja bem, foi adaptada de outra que ela viu num blog amigo português.

Por sua vez, a dona do sítio aprendeu a receita com a tia dela, a Micá.

Tia Micá não conheço, mas a bendisse assim que o bolo começou a soltar um cheiro delicioso, ainda no forno. Se fosse católica, adicionaria a tia Micá na minha reza. À Dadivosa, à dona do blog português e à tia Micá, meus profundos agradecimentos!

Agora é sua vez: a receita está aqui. Três pessoas testaram e muito aprovaram. Que tal tentar você também? ;)

Bolo de maçã da tia Micá
(com adaptações da Dadivosa e uma pouca mudança da Simplicista)
- 3 xícaras de maçã picadinha (três maçãs pequenas)
- Suco de limão para não escurecer a maçã
- 3/4 de xícara de óleo
- 1 xícara de iogurte natural
- 1 e 1/2 xícara de farinha de trigo branca
- 1/2 xícara de farinha de trigo integral
- 2 xícaras de açúcar mascavo
- 1/2 colher de sopa de noz moscada ralada na hora
- 1 colher de sopa rasa de canela em pó
- 2 ovos
- 1 colher de sopa rasa de fermento em pó

Ligue o forno. Com um batedor de arame, misture o açúcar mascavo com os ovos até que não haja mais nenhum gruminho. Junte o óleo e misture.

Adicione as farinhas, previamente peneiradas e misturadas com o fermento, a noz moscada e a canela, e mexa mais um pouco. A massa vai endurecer. A Dadivosa conseguiu continuar com seu fouet, mas eu tive de partir para uma colher de pau. Junte o iogurte e incorpore. Por último, misture os cubinhos de maçã.

Despeje a massa em forma untada e polvilhada com farinha e leve ao forno até que, ao enfiar um palito no meio da massa, ele saia limpo.

19.9.07

Admirável sabor novo

A querida amiga mexico-americana Alejandra Martin (que não é prima do Ricky) cozinha que é uma beleza. Sua especialidade, pois, é a comida mexicana. Ela me apresentou ao mole, que foi paixão à primeira mordida, e a outros ingredientes de sua terra - alguns deles menos palatáveis para o meu gosto simples.

Há tempos que peço para ela mandar receitas. No mês passado, ela finalmente o fez. A surpresa? É comida tailandesa, não mexicana, não tex-mex, não americana. A obviedade? É apimentada, oras! :D

As instruções causaram certo estranhamento. Como vieram dela, seguimos de olhos quase bem fechados: procurei imagens no Google para saber se era assim mesmo. E, entre o desastre anunciado ou a delícia surpreendente, o segundo termo é o que se aplica. É ótimo, é diferente, é saudável, é viciante!

Barcos tailandeses de alface e frango
- Uns 500 gramas de peito de frango desossado e sem pele, cortado em pedaços
- 3 colheres de sopa de caldo de galinha (usamos mais, quase meio litro)
- 1 colher de chá de gengibre fresco, ralado e sem casca
- 1/2 copo de water chestnut (não conseguimos descobrir o que é, então deixamos de fora)
- 1/4 de copo de cebola roxa picada
- 1/4 de copo de cebola branca picada (nossa adição)
- 1/4 de copo de cebolinha picada
- 1/4 de copo de coentro picado
- 1/4 de copo de suco de limão
- 1 colher de sopa de açúcar
- 2 colheres de sopa de molho de peixe (opcional)
- 1/8 de colher de chá de sal
- 1/4 de copo de amendoins picados
- 4 colheres de chá de pimenta de cheiro picada (mais ou menos duas)
- Alface lisa (acho que seria mais prático usar endívias, porque foi meio difícil comer assim )

Coloque o frango ainda cru num processador (passei no liqüidificador). Aqueça uma frigideira antiaderente grande em fogo médio. Quando estiver quente, coloque o frango, o gengibre e o caldo - cozinhe, mexendo sempre, até cozinhar bem e o caldo evaporar todo. Reserve.

Num recipiente grande, misture os demais ingredientes e acrescente o frango. Misture bem, acerte o sal e coloque a mistura (fria assim mesmo) nas folhas de alface (ou endívia). Pode ser servida como entrada.

17.9.07

Santo docinho, Batman!

Neste findi fiquei boas horas na cozinha - por escolha, o que é o melhor de tudo. Há posts para a semana toda, mas vou começar pelo final.

Ontem à noite ficaram prontos os brigadeiros de capim santo. Encontrei a gramínea na feira perto de casa, embaixo da cebolinha e da hortelã. Não estava assim superfresca, mas ainda assim consegui utilizá-la.

A receita original tirei do blog do Kats, na Folha Online.

Brigadeiros santos
- 1 copo de leite integral (ps: melhor usar bem menos, meio copo, para não ficar muito mole)
- 1 lata de leite condensado
- 1 tablete pequeno de chocolate branco (usei uns 120 gramas)
- 1 punhado de capim santo (usei umas 12 folhas, mas pode ser mais ou menos, de acordo com o gosto)
- Coco ralado para envolver (originalmente açúcar)

Bata bem o leite e o capim santo. Passe o líquido verdinho por uma peneira, acrescente o leite condensado e o chocolate em pedacinhos e leve ao fogo, mexendo sempre, até ferver. A partir deste momento, abaixe o fogo e mexa vigorosamente até engrossar. Para chegar no ponto de brigadeiro contei 15 minutos. Deixe esfriar bem muito, enrole e passe no coco.

14.9.07

Pense vermelho

Sabe quando você quer algo gostoso e quentinho, mas não está a fim de grandes produções? Ando nesse ritmo atualmente. Junto à falta crônica de ingredientes em casa, estou economizando trabalho na cozinha.

"Mas isso não é desculpa para comer um sanduíche frio", pensei. Em 50 minutos (contando o tempo de forno) eu tinha uma refeição bonita e saborosa. De tão bem-sucedida, agora quero experimentar outras versões e rechear legumes mil.

Como trilha, recomendo "Let's call the whole thing off" ("You like potato and I like potato; you like tomato and I like tomato...")

Tomates gorduchos
- 3 tomates
- 1 lata de atum
- Meia torrada
- 1/4 de cebola
- Salsinha
- Queijo parmesão
- Sal e pimenta (usei chipotle) a gosto

Lave os tomates, corte as "tampas" (mais ou menos 1/3 deles) e guarde-as. Com uma colherinha, tire o interior com cuidado; reserve-o. Jogue sal no interior das frutinhas e coloque-as de boca para baixo numa tábua, para drenar a água.

Preaqueça o forno. Pique a cebola bem picadinha. Corte a salsinha bem mal cortada. Abra a lata de atum (usei a "light", imersa em água) e escorra bem. Coloque o peixe num recipiente, acrescente o interior dos tomates e amasse bem com um garfo. Esfarele a torrada e jogue na mistura, para dar liga. Acrescente os temperos e misture bem, provando a seu gosto.

Enquanto faz o recheio, coloque os tomates no forno, em uma assadeira untada, com a boca para cima. Eles podem ficar lá uns 10 minutos. Retire-os do forno e recheie com cuidado. Cubra-os com o parmesão, coloque as tampas e leve a assadeira novamente ao forno, por mais 20 minutos. Sirva como acompanhamento (ontem, de uma massa) ou apenas com salada.


13.9.07

Wikitchen

Caramba, estou bem desatualizada neste mundo virtual.

Vocês conheciam o livro de receitas da Wikipedia? Eu havia entrado em uma ou outra receita, mas nunca na página principal. Ainda parece incipiente, porém gostei da idéia. Essa pode ser o maior livro de receitas do mundo, gente!

Se, nos blogs de culinária espalhados por aí, já dá para sentir como jeitos e sabores diferentes, na Wikipedia é possível conferir como a cultura e o meio influenciam os pratos. Isso porque as receitas postadas variam de acordo com o país onde se fala a língua (por exemplo: na versão em português, o bacalhau domina a página dos peixes). Imagine o potencial.

Eis a versão em português, setorizada:

Aqui em inglês, em ordem alfabética:
PS: O link da versão em português está dando pau direto e, pelo visto, assim vai continuar, não importa quantas vezes eu conserte neste post. Se acontecer com você, aí vai uma dica: entre na página em inglês e procure o quadro "outras línguas", que fica na barra de navegação do lado esquerdo. É um trabalhinho, mas aparentemente funciona melhor do que a BIOS aqui... :)

12.9.07

A vida lhe deu limões?

Faça uma caipirinha.

- 1 limão siciliano
- 2 e 1/2 colheres de sopa de açúcar refinado
- Gelo
- Pinga da boa

Corte as pontas do limão e descarte. Corte a fruta na metade, na metade e na metade.

Jogue os pedaços num copo apropriado, as cascas para baixo. Junte o açúcar e macere com um socador de madeira. Acrescente a pinga, o gelo e misture. Prove, acerte o açúcar e a pinga e misture. Prove, acerte a pinga e misture. Prove e misture. Prove a pinga e misture. Prove de novo.

(Não há foto do dito por questões óbvias.)

11.9.07

Rei dos adjetivos

Prático, democrático, delicioso e com um nome sonoro.
Não, não é um homem.

Cuscuz (aqui, veggie)
- 1 xícara de cuscuz
- 1,2 xícara de água
- 1 colher de sopa de manteiga
- 2 cenouras médias
- 6 tomates-cerejas
- Um punhado de castanha-do-pará
- 1 colher de chá de cominho em pó
- Sal e pimenta, quanto baste

Quebre as castanhas em pedaços e leve-as ao forno para dourar. Descasque as cenouras, corte em cubinhos e as cozinhe na água com sal. Enquanto isso, corte os tomates e remexa as castanhas, para que assem por igual. Reserve ambos.

Coloque o cuscuz numa panela alta com tampa. Escorra as cenouras e leve novamente a mesma água ao fogo, agora com a manteiga e o cominho. Quando ferver, regue o cuscuz e feche a panela por 5 minutos, até cozinhar. Abra e solte os grãos com um garfo. Misture com as cenouras, os tomates e as castanhas, acerte o sal e a pimenta e sirva a seguir.
P.S.: Os ingredientes variam de acordo com o que há em casa

10.9.07

Bolinhas espetadas

Eis uma boa forma de apresentar tomates - para quem gosta e para quem não gosta tanto assim, como a missivista.

- Tomate-cereja, quanto queira
- Queijo branco
- Manjericão fresco e lavado
- Sal, pimenta-do-reino e azeite a gosto

Com uma faca afiada, corte os tomates e disponha as metades sobre um prato, com a polpa para cima. Salpique sal e pimenta.

Corte o queijo branco em quadradinhos de 2,5 centímetros, mais ou menos o diâmetro das frutinhas. Monte como um sanduíche (1/2 tomate + quadradinho de queijo + 1 folha de manjericão + 1/2 tomate) e, com cuidado, prenda com um palito de dente.

Regue com um bom azeite e sirva. Se quiser, jogue um pouquinho mais de sal por cima - mas pouco, tá? Cuidado com a pressão...

7.9.07

A história do pequeno grande bicho

"Era uma vez um bichinho muito pequenininho. Ele era menor do que uma cabeça de alfinete! Apesar do tamanho diminuto, seu poder era imenso. Ele podia se multiplicar. Ele podia determinar o destino de bichos grandalhões, como fantoches movidos por suas patinhas minúsculas - mesmo que isso custasse sua própria vida.
E foi o que fez. E assim morreu."

Escrevo essa historinha para homenagear os bichinhos que invadiram minha quínua e me forçaram a me reinventar às 9h da noite. Se não fosse por eles, eu teria apenas repetido uma receita já conhecida e não teria acrescentado nenhuma novidade a minha pobre existência. Por causa deles, busquei inspiração no belíssimo blog La Tartine Gourmande, arregacei as mangas e fui à luta.

Torta-quiche de espinafre
(Usei massa folhada pronta, que já estava descongelada para o strudel)
- Um maço de espinafre
- Uma abobrinha cortada em tiras bem fininhas
- 1/2 cebola média picada
- 4 dentes de alho picados
- 2 colheres de sopa de azeite
- 3 ovos
- 1/2 de xícara de leite integral
- 1/4 de xícara de creme de leite fresco
- 1 colher de chá de cominho
- Parmesão ralado, o quanto baste
- Sal e pimenta a gosto

Ligue o forno. Coloque as folhas de espinafre em água salgada e deixe ferver, entre 3 a 6 minutos, de acordo com a quantidade. Enquanto isso, corte a abobrinha, a cebola e o alho e reserve. Escorra muito bem o espinafre fervido (esprema bem para tirar o máximo possível da água) e pique grosseiramente.

Unte uma forma de torta, disponha a massa e faça váááários furos no fundo com a ajuda de um garfo. Cubra com papel-manteiga e encha de feijões ou arroz, até ficar bem pesadinho. Coloque no forno preaquecido por uns 20 minutos.

Refogue a cebola e o alho no azeite e no cominho por uns 4 a 5 minutos em fogo baixo, para reduzir. Acrescente as tiras de abobrinha, refogue e tampe. Elas ficam ali por uns 15 minutos, então você precisa abrir a panela e mexer de vez em quando para não grudarem e cozinharem por igual. Quando estiver pronto, acrescente o espinafre, adicione sal e pimenta (usei uma vermelha) e misture tudo muito bem. Deixe cozinhar por mais uns 2 minutos, desligue o fogo e reserve.

Tire a forma, descarte o papel e os feijões e a coloque novamente no forno por mais 3 minutinhos. Enquanto isso, bata os ovos com o leite e o creme de leite com um fouet, até tudo misturar realmente bem. Coloque um pouquinho mais de sal e pimenta nesta mistura.

Pegue a forma com a massa, coloque as verduras espalhadas no fundo e jogue o líquido. Polvilhe com bastante parmesão e leve ao forno médio por uns 30 a 40 minutos, até dourar a parte de cima.

6.9.07

Uma pequena confissão

A criançada lá em casa adora comer banana amassada com farinha láctea e/ou mel. Quando acaba, eles ficam raspando o prato com o garfo, tentando pegar a massinha que se formou e grudou no fundo. Dia desses, namorido olhou e disse: "Fazia a mesma coisa quando era pequeno."

Adoro banana também. Como a combinação descrita acima é uma bomba calórica, ótima apenas para infantes e homens magros, prefiro maneiras menos engordativas de consumir a fruta além do modo natural.

Uma delas aprendi com minha mãe. Não é um prato bonito nem glamouroso, pelo contrário: é uma melequinha deliciosamente despretensiosa, daquelas que você aprende quando é criança e lhe acompanha para todo o sempre. Como o pratinho com mel e farinha láctea.

Escolho uma banana madura - quanto mais, melhor. Pico em rodelas e coloco em um potinho, aí polvilho canela em pó sobre a fruta e coloco no forno de microondas por 2 a 3 minutos. Fico de olho o tempo todo: a banana se dissolve e mistura com a canela, e nessa pode derramar do pote! Tiro com cuidado, porque está bem quente, e como com mais cuidado ainda para não pelar a língua. As únicas calorias são as da própria fruta, mas o suco que se solta deixa um docinho a mais.

Se você aprovou a melequinha, pode criar variações sobre o tema. Minha mãe às vezes faz num refratário e joga um pudim de caramelo em cima, então gela e serve como sobremesa. Gosto de colocar um pouco de granola e/ou nozes e castanhas. Já usei como acompanhante de sorvete de nata e, baby, ficou bom pacas.

Lá em casa há uma receita mais chique, com vinho, ao forno. Fica bem ok. Mas, bom, sabe cumé: nada bate gosto da infância, mesmo quando se trata de uma meleca tão feia que nem tenho coragem de bater foto... ;-D

5.9.07

Santo de casa

Dia desses tomei um sorvete delicioso no Il Vitelloni. Aí, nesta semana, o Katsuki me tentou com os brigadeiros.

Amo, adoro, sou piradinha mesmo, por capim santo (Cymbopogon citratus). E estou doida para ir além da infusão na cozinha lá de casa.

Mas aí namorido colocou um ponto importante: onde achar o bendito fresco em São Paulo? Afinal, isso é coisa de quem tem quintal, grupo no qual eu infelizmente ainda não me enquadro. Acho na feira com boa qualidade? Terei de descolar um fornecedor?

Se alguém souber, me conta? Fará uma boa ação e será eternamente abençoado. Se o brigadeiro der certo, até envio alguns...

Dito pelo não-dito

Aprendi uma boa frase ontem:

"That's the way the cookie crumbles."

Algo como "a vida é assim mesmo, paciência" ou "conforme-se, porque nem sempre as coisas acontecem do jeito que a gente quer".

Acho que devo fazer biscoitos para comemorar o ditado e adoçar um pouquinho a vida, que está precisada nesta semana.

Vi uma receita ótima na Technicolor Kitchen, mas fiquei com medinho da consistência. Bom, talvez ela seja mesmo ideal para o momento. Afinal, that's the way the cookie crumbles... ;)

4.9.07

Tentativa e erro

Mais uma da série abobrinhas e parmesão.

Essa é uma adaptação de uma receita de pão da Martha. Na primeira vez que fiz, segui as instruções direitinho e a massa ficou úmida demais, se desmanchando, impossível de comer - ainda que bem gostosa.

Na segunda, dividi a quantidade de farinha entre branca e integral e acrescentei milho verde e cebola (são as da foto). Ficou bem melhor, porém seca demais.

A terceira vez será a campeã, tenho certeza. Acrescentarei tomates em vez de milho. Eis como farei.

Muffins de abobrinha
- 1/3 de xícara de azeite (mais o que for usado para untar as forminhas, caso necessário)
- 1 xícara de farinha de trigo branca (mais o usado nas forminhas)
- 1 xícara de farinha de trigo integral
- 1/3 de xícara de leite
- 2 ovos
- 1 xícara de parmesão ralado
- 2 colheres de chá de fermento em pó
- 1 1/2 colher de chá de sal
- 1/4 de colher de chá de pimenta
- 1 abobrinha grande ralada
- 1/4 cebola média bem picada
- 1 tomate grande cortado em quadradinhos

Rale a abobrinha e o parmesão, corte o tomate e pique a cebola. Reserve. Ligue o forno, mantenha-o em temperatura média e unte e farinhe as forminhas.

Em uma tigela grande, misture as farinhas, o fermento, o queijo, o sal e a pimenta. Acrescente as abobrinhas e a cebola e misture. Em uma tigela pequena, misture com um fouet o azeite, o leite e os ovos. Jogue sobre a mistura dos secos, mais o tomate, e misture.

Transfira para as forminhas de muffin (ou para uma forma de pão), cerca de 2/3 da capacidade. Pressione levemente para eliminar bolhas. Se quiser, jogue mais parmesão ralado no topo. Asse por 20 a 30 minutos, até o palito sair limpo. Deixe esfriar um pouco sobre uma grade e coma como entrada ou acompanhamento.

3.9.07

Quantas abobrinhas

Abobrinhas começando a passar do ponto
+
um naco de parmesão
+
falta de paciência para grandes produções, muito menos para sair de casa
=
claro que me lembrei daquele chef maluquinho inglês, né?

Massa com abobrinha, manjericão e parmesão do Jamie Oliver:
- 450 gramas de massa
- 1 limão (usei siciliano)
- 8 a 9 abobrinhas pequenas (usei duas médias, mas deveria sido o dobro)
- 1 dente de alho
- 4 colheres de sopa de azeite dos bons
- 200 gramas de parmesão ralado na hora
- Um bom punhado de manjericão fresco picado (infelizmente não tinha fresco, só desidratado; infelizmente, não estava mesmo com paciência para sair e comprar um maço)
- Sal e pimenta-do-reino a gosto

Comece cortando as abobrinhas bem fininho. Reserve.

Coloque a água para ferver com um fio de azeite. Pique o alho bem pequenininho. Esprema o limão e reserve o suco.

Quando a água ferver, coloque o sal e jogue a massa. Numa outra panela (precisa ser grandinha, porque é ali que você vai misturar tudo), junte o azeite e o alho, mas não o deixe dourar. Jogue a abobrinha e refogue bem por dois minutos, tomando cuidado para não quebrar os pedaços. Acrescente o suco de limão, o manjericão e deixe cozinhar. Eu tampei a panela e, de minuto em minuto, virava as abobrinhas, para que todas as fatias cozinhassem igualmente.

Neste tempo, a massa deve estar no ponto. Escorra e jogue sobre as abobrinhas. Coloque a pimenta-do-reino e misture com cuidado. Acrescente aos poucos o parmesão ralado, mexendo devagar, para que o queijo derreta e seja incorporado por igual, sem virar uma placa derretida grudada. Talvez você precise de um pouco mais de azeite neste ponto, mas seja parcimoniosa. Acerte o sal e sirva imediatamente, com mais parmesão por cima.

30.8.07

Cenas de SP

Qualquer dia útil da semana, inverno com cara de verão, três da tarde. A Consolação está entupida em ambos os sentidos, põe primeira, põe segunda, pára. No carro da polícia, dois conversam na frente, o meliante atrás, sentado, mãos juntas nas costas, tronco encurvado, joelhos dobrados, a cabeça vai pendurada, meio baixa.

A viatura segue, devagar. O sol esquenta. No canteiro central, os dois ipês-amarelos estão no resplendor. Uma cabeça vira, a outra, a terceira levanta. O trânsito segue, o carro não. Por um momento, os três esquecem onde estão.

(domingo, agosto 21, 2005)

29.8.07

Das intenções

"Nham, nham, que apetitoso!"

Tá, confesso, não foi isso que pensei quando o namorido me presenteou com a entradinha ao lado. Mas estava tão linda que não resisti a fotografar.

- Duas folhas de endívia
- Uma fatia generosa de tomate
- Cebolinha francesa
- Sal, pimenta (no caso, uma turca vermelhinha e deliciosa) e vinagre balsâmico

27.8.07

O presente frugal

Minha primeira lembrança de feira vem das viagens ao Rio. Provavelmente acompanhava uma tia. Lembro de corredores estreitos, empurra-empurra, o carrinho de ferro era quase da minha altura. O cheiro de coentro estava misturado ao da banana, com um toque de alho. Sob as copas das árvores, tudo era lusco-fusco, os movimentos, ansiosos, a mulata carregava as compras para a casa da patroa - e pescoços virados a acompanhavam aos assobios. Então bailarina, eu ensaiava saltos sobre tomates esmagados, cascas de banana e poças d'água, num balé grandiloqüente.

Em Pinheiros há poucas alamedas para receber a feira, então o Sol inclemente traz luz e calor - difícil manter a frescura dos produtos assim. Ando, não salto mais, de óculos escuros pela fotofobia, mas envergonhada: feira não combina com fleuma, ora. Agora consigo identificar o coentro da banana do alho, mas penso em misturar tudo numa panela para sentir o cheiro novamente.

Olho ao redor. É tudo limpo, tudo calmo, tudo organizado. "Reage, Oscar Freire!", grita o vendedor. Quero gritar com ele. Apenas tiro os óculos para escolher os legumes. A feira se transformou dentro de mim, fora também.

Lembro dos pulmões a toda dos feirantes cariocas, das frases prontas. Entendo a posição dos moradores de São Paulo, que não agüentam a algazarra. Só que sinto saudade.

26.8.07

O que é, o que é?

É esperada após férias?
Acaba com o humor de qualquer mulher?
É o pesadelo de quem gosta de cozinhar?

Quem falou DIETA acertou. Poisé, cenouras e senhores, estou vivendo em restrição calórica.

Ontem comecei devagar, almoçando salada. E, à noite, me despedi do lindo mundo dos despreocupados com a pizza de abobrinha e a de alho-poró do I Viteloni, mais sorvete de capim-cidreira na sobremesa - tudo comida verde, para acostumar a vista.

Hoje fui à feira e comprei um montão de verduras. Foi meu almoço, acompanhado de franguinho e embalado por suco com adoçante. Olhei para a parede enquanto o namorido comia feliz um alfajor, bebericando meu café sem açúcar. Injustiça saber que os homens emagrecem bem mais fácil, não?

23.8.07

Mudança de hábitos puxa food service

O faturamento do food service cresceu 20% em 2006, segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). Entre as franquias de fast food, o aumento foi ainda mais acentuado (26%), de acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF).

“O brasileiro passou a comer mais vezes fora de casa e o hábito já não é mais exclusividade da população dos grandes centros urbanos. Esse fator, com certeza, contribui para o aumento no faturamento das redes de fast food e influencia todo o setor, até mesmo a produção da indústria alimentícia”, diz a consultora Ana Vecchi, da Vecchi & Ancona Estratégia e Gestão.


Leia mais aqui.

Comentário da blogueira: "food service"? Que tal setor de alimentação?

20.8.07

Are you nuts?!

A partir de duas semanas antes das férias começarem, consegui errar todas as receitas que testei. Culpei o stress, óbvio, guardei as facas e parei tudo.

Aí voltei e a mão ruim continua.

Tentei fazer uma pecan pie com castanhas-do-Pará, trazidas do Ver-O-Peso, em Belém. Ficou tempo demais no forno: a massa virou um biscoito duro (culpa minha), as bordas secaram (também culpa minha) e as castanhas formaram uma capa sobre o recheio, em vez de ficarem "delicadamente envoltas" como as visualizei na mente. Só que isso não foi culpa minha!

Namorido comentou um tal Brazil nut effect. Segundo ele, a castanha sempre sobe, seja em ambientes secos, como a granola, ou molhados, como minha, hum, hã, torta. Não coloquei fé num primeiro momento. Mas a memória do nêgo é realmente boa.

Apr 11, 2001
Cracking the Brazil nut problem
How do Brazil nuts find their way to the top of a bowl of nuts while the smaller nuts filter to the bottom? The phenomenon of segregation in mixtures of particles takes its name from this effect, but nobody has managed to predict or control the process. Now Daniel Hong of Lehigh University in the US and colleagues have identified a new kind of sifting effect - 'condensation' - and developed a theory that predicts the behaviour of the 'Brazil nut problem' (D C Hong et al 2001 Phys. Rev. Lett. 86 3423).


Primeira moral da história: a física é fantástica... menos quando estraga meus planos culinários

Segunda moral da história: as facas continuam na gaveta

17.8.07

Croc Blergh!

Mal voltei de viagem e vejo, em dois dias por São Paulo, quatro pessoas adultas e aparentemente sãs usando uns tamancos horrorosos, gigantescos e coloridos para fazer compras e trabalhar. Pensei que fossem aqueles sapatos usados por cozinheiros e jardineiros. Mas o que diabos estavam fazendo nas ruas?

Dois segundos no Google foram suficientes para acabar com o enigma: são Crocs, tamancos horrorosos, gigantescos e coloridos que viraram febre nos Estados Unidos como uma bandeira pró-conforto-não-dou-a-mínima-para-moda-thing. Há textos e mais textos sobre isso em jornais e revistas americanas (parece até que a Veja, a grande antropófaga nacional, colocou alguém para escrever sobre o tema, mas tenho preguiça de procurar naquele site), além de blogs e sites de apoio e ódio.

Dizem os usuários que os Crocs são confortáveis como o céu. Que sejam felizes. Pra mim, é como sair de casa de pijamas ou direto da cozinha para a rua sem tirar o avental sujo - e os tamancos de trabalho. E, como se isso já não fosse suficiente para me impedir de comprá-los, aqui está uma boa razão:



15.8.07

Pílulas das férias

O que aprendi nas últimas cinco semanas:

- O sorvete de bacuri da Cairu, em Belém, consegue ser melhor do que o de tapioca

- Tirar polpa de cupuaçu é tarefa que avó passa para neto fazer assistindo TV

- Tout le monde peut faire la cuisine

- Azeite de dendê demais ou ruim deixa uma sensação esquisita e desagradável na boca

- Além do Dramin, comer frutas e biscoitinhos é a melhor maneira de não enjoar em mar aberto

- Carne argentina não é temperada: um salzinho e olhe lá

- Vinhos do Novo Mundo não podem ser guardados por décadas, mas consumidos em 15 anos no máximo, ou viram vinagre

- Os tradicionalíssimos produtores de vinho ao redor do mundo são terminantemente contrários ao emprego da biotecnologia (aka transgênicos) nos negócios. Foi o que escutei de um jovem enólogo, com uma certa revolta e algum desdém na voz, em pleno território mendocino. (A Argentina, para quem não sabe, foi a porta de entrada da soja transgênica no Brasil.) Aguardem novos capítulos nos anos a vir

Voltei!

Acabaram as férias. Recomeça tudo. Bem devagarinho, tá?

9.7.07

Prestação de contas

Pessoas queridas,

Desculpem o sumiço. Estou em Belém, trabalhando bastante nesta minha última semana antes das tão aguardadas férias.

Desculpem se sumi: acontece que, além do volume de tarefas, fiquei acanhada por não ter muito o que falar - e mostrar - daqui. Acontece que estou sem a câmera, então não tenho como fotografar o que como. Além disso, minhas refeições nos últimos dias foram feitas sozinha, no quarto do hotel. Pouco glamuroso, pouco saboroso, muito chato e muito constrangedor, uma vez que deveria experimentar todas as comidas deliciosas que fazem nesta terra.

Meu único esforço gastronômico ultimamente é consumir cupuaçu sempre que possível. Descobri que até para os locais a fruta se tornou cara. Claro que não no mesmo patamar paulista, onde um único indivíduo da espécie custa R$ 11. Mas cobrar R$ 5, R$ 6 pela polpa aqui é demais, né?

É isso. Preciso correr ou perco a carona. Assim que tiver novamente acesso à câmera, em uma semana, em Salvador, posto novamente.

beijinhos a todos

2.7.07

Essa é canja


Esdou gribadíssima. Dudo o que eu queria era uma canjinha. Acho que dão denho forças para cozinhar quando chegar em casa, mas vai a receidinha mesmo assim... Quem sabe me animo?

Canja
- 500 gramas de frango
- 1/2 cebola
- 1 dente de alho
- 1 batata
- 1 cenoura
- 1 xícara de arroz
- 1 colher de sopa de azeite
- Salsinha, sal e pimenta a gosto
(as quantidades podem mudar de acordo com o gosto do paciente)

Limpe a carne (tire as nervuras e as gordurinhas), corte em lascas no sentido das fibras musculares e reserve. Pique a cebola e o alho e frite-os no azeite em fogo baixo, até a cebola ficar transparente, enquanto você corre pro banheiro assoar o nariz e lavar o rosto e as mãos, já que picar cebola gripado está longe de ser uma tarefa fácil.

Volte para a cozinha e coloque a galinha no azeite. Quando dourar um pouquinho, coloque água suficiente para cobrir o frango, acrescente o sal e a pimenta e deixe cozinhar (na panela de pressão leva uns 15 minutos). Enquanto isso, descasque a batata e a cenoura, corte em cubinhos e reserve.

Quando a carne estiver pronta, retire e desfie. Volte para a mesma água, acrescente o arroz e cozinhe (se precisar, coloque mais água). No meio do tempo, acrescente os legumes e a salsinha picadinha. Acrescente mais sal e pimenta a gosto, mas peça para alguém sadio experimentar - já salguei muita sopa por conta do paladar comprometido pela gripe. Tome devagar, com uma manta sobre os ombros para a friagem não te pegar.

30.6.07

29.6.07

Vem com manual?

Falando em cupuaçu, vi que o Pão de Açúcar está vendendo a fruta em lojas de São Paulo (num novíssimo setor de "frutas esquisitas de lugares exóticos", tais quais a Amazônia). Dou vivas, afinal é produto nacional e até recentemente só era possível encontrar no mercadão. E traficado - segundo os vendedores, era proibido trazer pro Sudeste, então vinha escondido no meio de outras frutas. Sei lá o motivo.

Lembro perfeitamente da única e última vez que comprei. Tinha acabado de voltar de Manaus, onde me esbaldei de suco e mousse de cupuaçu por uma semana. Voltei com uma receita do doce e a idéia fixa de experimentá-lo assim que possível.

Poucos dias depois, adentrei no mercado negro das frutarias paulistanas atrás do bendito. Já tinha marcado com amigos uma pizza ou algo do gênero à noite e queria-porque-queria servir a mousse de sobremesa. Mas acho que tenho cara de polícia - ninguém tinha, ninguém viu, ninguém sabe. Quando já estava desanimando, achei um mocinho que tinha "uns dois ou três", mocados no fundo da barraca.

Me chamou prum canto e falou baixo.
"- A moça quer só um?
- É, acho que um tá bom.
- A moça tem como abrir?
- ........
- A moça sabe abrir?"

Olhei pro cupuaçu e sua cobertura aveludada e caiu a ficha: a casca é dura feito um coco verde. E, tal como ele, deve ser aberto no facão. Minha cara de desespero foi a chave pro rapaz abrir a fruta pra mim, quebrando no meio com certo sacrifício e expondo o interior branquinho.

Saí feliz e vitoriosa do mercadão, com o cupuaçu aberto e cheirando horrores num saco plástico. O carro ficou empesteado, graças ao calor dantesco. "Tudo bem, porque eu tenho meu cupuaçu." Escancarei as janelas e fui cantarolando pra casa.

Assim que cheguei, corri pra cozinha. "Vai ficar uma delícia", pensei, rindo um pouco dos pobres paulistanos mortais que se contentam com cupuaçu congelado. Peguei uma colher de sopa para retirar a polpa. Surpresa: a colher não entrava. Ao contrário de todas as outras polpas, esta era fibrosa e gelatinosa ao mesmo tempo. Não esmaeci, peguei uma colher maior. Nada. Meti a mão e o interior se desgrudou todo da casca. "Ok, não devia ser diferente antes de os europeus chegarem."

Coloquei num pote. O cheiro forte começava a me nausear. Precisava separar as sementes, grandes e escuras como olhos. Agarrei com esforço uma delas, puxei e nada: continuava grudadinha na polpa, protegidinha. "&@#%! Como ela pode germinar assim?" Puxei com mais força. Lembrei do facão do fruteiro e busquei uma faquinha na gaveta. Tentei cortar, enfiar, espetar, serrar; tentei tudo de novo com uma faca maior. Nada.

Suando e xingando a biodiversidade brasileira, faço uma última tentativa antes de mandar tudo às favas e comprar um sorvete industrializadíssimo: uma tesoura. Apelei mesmo. Vários tec-tec-tecs depois, havia conseguido enfim meu intento. Meses mais tarde, vim a saber que esta é a única maneira mesmo de tirar as sementes.

Bati a polpa com creme de leite e leite condensado no liqüidificador rapidinho, já de saco cheio dessa história e louca pra me livrar daquele cheiro. Dizem que ficou bom: eu provei um pouco, só pra não ficar chato, mas o bode estava amarrado demais no meu pé para achar delicioso.

---------------------

Então siga os conselhos: se resolver investir os 11 reales cobrados pelo Pão de Açúcar num único cupuaçu, certifique-se de que tem meios para abrir a fruta e uma tesoura afiada em casa. O gosto é realmente único e viciante. Vale a pena quando vem um manual de instruções...

Sabor do meio do mundo

No fim do ano passado, estava em Macapá quando o Sebrae local promoveu um festival gastronômico. Presente no lançamento, organizado num restaurante que fica na linha do Equador, comi de tudo um pouco (e fotografei um monte), encantada que sou com os sabores do Norte.

Dia desses encontrei as fotos. Aqui está um dos pratinhos que provei, uma tapioca com doce de cupuaçu, camarão e queijos. Dá pra fazer só doce ou só salgado, se quiser.

Tapiokita Pororoca, do restaurante Tapiokita Tapiocaria
- 100 gramas de goma de tapioca peneirada
- 50 gramas de camarão regional, sem casca
- ½ maço de cheiro verde picado
- 50 gramas de requeijão
- 10 ml de azeite
- 10 gramas de cebola picada
- 10 gramas de pimentinha cheirosa, picada
- 15 gramas de queijo prato
- 25 gramas de mussarela
- Sal, pimenta do reino e noz moscada a gosto
+
- 90 gramas de massa de cupuaçu
- 50 gramas de açúcar
- 50 ml de água
- Chantilly e catupiry para a decoração

Prepare o recheio salgado: limpe e lave rapidamente o camarão e tempere com sal e pimenta do reino. Refogue no azeite o camarão, os temperos e os queijos. Reserve.

Prepare o recheio doce: em uma panela pequena, leve ao fogo médio a massa de cupuaçu, o açúcar e a água. Deixe ao fogo por aproximadamente 10 minutos ou até desprender do fundo. Reserve.

Prepare a tapioca: peneire a goma e tempere com sal, depois aqueça em uma frigideira de 20 cm e polvilhe a goma peneirada. Deixe por alguns segundos até soltar da frigideira. Vire a massa rapidamente para que o outro lado fique pronto. Reserve.

Faça a montagem: coloque no prato a tapioca, passe em uma metade o recheio salgado e enrole como rocambole até o meio. Na outra metade, passe o recheio doce de cupuaçu. Decore a parte salgada com catupiry e a parte doce, com chantilly.

28.6.07

Quebrando pré-conceitos

Namorido estava maluquinho por arroz doce. Fui atrás de uma receita original, não estas correntes com leite condensado. Achei no livro "Arroz sem feijão".

Ficou bem bom, realmente com gosto de antepassados - mas da próxima vez vou tentar com gema a menos. Para quebrar a doçura, aproveitei os morangos que estavam vencendo na geladeira.

Anedótico foi saber que meus convidados não gostavam de arroz doce. Não sei se por educação ou sucesso, eles limparam os copinhos... O comentário de ambos foi: "Olha, pra falar a verdade não gosto de arroz doce, mas este aqui está realmente bom!" ÊÊÊÊÊ!

Arroz doce portuga com azedinho
- 2 copos de d'água
- 1 litro de leite
- 2/3 xícara de arroz (arborio)
- 4 gemas
- 1 xícara de açúcar

Aqueça em fogo médio a água, 400 ml do leite e o arroz (sem lavar). Quando levantar fervura, reduza o fogo para o mínimo e mexa de vez em quando, para soltar o amido do arroz e não deixar pegar no fundo, até todo o líquido ser absorvido e o arroz cozinhar - se preciso, acrescente mais água fervente.

Ferva os 600 ml de leite restantes. Enquanto isso, misture muito bem as gemas e o açúcar, com a ajuda de um fouet. Acrescente o leite fervido aos poucos, enquanto mexe vigorosamente esta pasta para as gemas não coagularem.

Transfira o arroz para uma panela limpa e alta, adicione o creme de gemas e misture. Cozinhe em fogo baixo, com a panela tampada, porém mexendo freqüentemente até engrossar. Retire do fogo e deixe descansar por 15 minutos.

Calda
- 1 caixinha de morangos
- 2 a 3 colheres de sopa de açúcar
- 1 limão
- Cravos a gosto

Lave os morangos, corte-os em pedaços (guarde alguns para ornar o doce pronto) e coloque em uma panela com o açúcar, o sumo do limão e os cravos. Deixe cozinhar em fogo baixo, mexendo de vez em quando até virar um doce quase puxa. Prove e, se preferir, acrescente mais açúcar - mas lembre-se que ele vai acompanhar um prato verdadeiramente doce. Pesque os cravos.

Para servir, coloque o arroz em potinhos individuais, jogue a calda por cima e coloque o morango decorativo. Pode servir em temperatura ambiente ou geladinho, como fiz.

26.6.07

No tabuleiro da baiana tem...

"Vatapá, oi
Caruru
Mungunzá
Tem umbu
Pra ioiô..."

Lembrei desta letra enquanto jiboiava uma delícia de mungunzá, ou canjica, que deu supercerto apesar de alguns problemas na hora da feitura (a saber: panela de pressão não funcionou e o doce foi feito parte de manhã, parte à noite).

Achei a música bem adequada ao momento, pois já começo a sonhar com tudo que quero provar nos nove dias que passarei em Salvador, em julho. Além disso, a receita foi passada por uma filha de baiano, minha mãe.

(Só é uma pena que, com a letra, veio a voz da Gal, que 'garrou na minha mente desde então. Saco.)



Canjica
- 1 1/2 xícara de canjica
- 1 garrafa pequena de leite de coco
- 1 colher de sopa cheia de coco ralado
- 1 lata de leite condensado (ou leite integral e açúcar a gosto)
- Cravo e canela em pau a gosto
- Opcional: 2 colheres de sopa de amendoim (sem ser salgado, plis!)
(Na hora, acrescentei ainda 1/2 xícara de leite e 1 colher de sopa de açúcar, mas imagino que por obstáculos no preparo.)

Coloque a canjica de molho em água, com os cravos, de um dia para outro. Leve ao fogo nesta mesma água até o grão amolecer, com as canelas: na panela de pressão, é rapidinho.

Quando a canjica estiver macia, leve o dengo pra cozinhar em banho-maria: acrescente o leite de coco e o coco ralado e mexa. Depois coloque o leite condensado e os amendoins e continue mexendo, até o caldo ficar grosso e saboroso. Se preferir, pesque os cravos e as canelas antes de servir. Coma quente ou frio, com a bênção do orixá.

Ah, as palmeiras

Sempre que sobra massa folhada lá em casa, faço palmiers. Adoooro, ainda mais acompanhando o santo café.

Na última vez, contudo, o par foi o chá rooibos, um matinho sul-africano sem cafeína (sim, amigos, eu às vezes tomo coisas sem cafeína, tá?) com uma cor linda, meio vermelho, meio marrom. A versão servida tinha ainda outras misturinhas, menta provavelmente, que a amiga Alejandra deixou comigo: bom demais da conta.

Palmiers
- Massa folhada
- Açúcar e canela

Abra a massa num retângulo, polvilhe o açúcar com a canela e enrole as duas pontas na direção do centro. Quando se encontrarem, passe um pouquinho de água no meio para os dois lados colarem. Corte a massa com cerca de 1 cm, coloque em uma assadeira (antiaderente ou untada) e polvilhe mais um pouquinho de açúcar e canela em cima. Asse em forno médio até inflarem e dourarem, e não se esqueça de as virar no meio do caminho.

Agüentam bem por uma semana em uma lata bem fechadinha. Mais do que isso, não tenho idéia. Sua vida é demasiadamente curta perto de mim...

25.6.07

Muleta culinária

Adoro tortas salgadas. São fáceis de fazer (nem sempre rápidas) e podem ser preparadas com antecedência. Geralmente têm boa aceitação entre crianças e adultos e não costumam brigar com o prato principal (ao lado, com peixe).

Prefiro aquelas que podem ser servidas quentes ou frias, como esta, que tirei do livrinho filantropo rotariano "Cozinhando com amor e sabedoria", comprado em Joinville anos atrás:

Torta de batatas e três queijos
- 2 2/3 xícaras (uns 600 gramas) de batatas cozidas e reduzidas a purê
- 2 colheres de sopa de farinha de trigo
- 1 cebola média picada
- 2 ovos batidos
- 1/2 xícara de cottage (dá para trocar por creme de leite)
- 1 xícara de queijo suíço ralado (ou outro queijo amarelo mole)
- 4 colheres de sopa de parmesão ralado
- 4 colheres de sopa de cebolinha picada
- 2 colheres de sopa de manjericão
- 1/2 xícara de leite
- 1/2 xícara de tomate seco (ou tomate normal) picado
- Sal e pimenta a gosto

Unte uma forma redonda e farinhe. Pré-aqueça o forno. Misture todos os ingredientes acima muito bem, coloque na forma e polvilhe mais parmesão em cima. Asse por cerca de 40 minutos, ou até ficar douradinho.

21.6.07

De volta para o futuro

Essa belezinha aí lembra da validade das comidas que você tem em casa e busca na blogosfera receitas de acordo com o estoque e sua preferência.

Meu sonho é que toda cozinha seja equipada com infravermelho: o computador checará o que falta nos armários e geladeira, comparando com a lista de compras básica, e mandará o pedido para o supermercado virtual, que debitará do cartão e entregará num dia pré-determinado, quando a diarista está em casa para receber e guardar tudo. Quando quiser preparar uma receita especial, apenas incluo na lista esses pedidos ocasionais, em uma tela pendurada na parede como o Yummy aí do lado.

E assim nunca mais terei de colocar os pés num hipermercado novamente, com o saco na lua e a lista escrita em letra ruim num papelzinho dobrado.

20.6.07

A boa da estação

Não gosto muito de pinhão cozido purinho. Acho sem graça e lembra demais uma barata cascuda para inspirar apetite. Mas descobri que ele é fantástico como base para pratos. Pensando nisso, fiz um molho beeeem básico para acompanhar o peixe, que deu um toque sulista único ao jantar paulistano.

Molho de pinhão
- Duas mãozonas de pinhão
- Uma colher de sopa de sal
- Duas colheres de sopa de azeite
- Duas colheres de sopa de manteiga
- 1/4 de cebola bem picadinha
- 1 dente de alho bem picadinho

Coloque o pinhão para cozinhar em uma panela de pressão, com o sal e água cobrindo. Demora uns 40 minutos. Descasque (ai...) e corte em lascas ou rodelinhas. Esquente o azeite e a manteiga numa panelinha, coloque a cebola e o alho e espere começar a dourar. Jogue o pinhão e deixe apurar um pouco ali, uns 7 ou 8 minutos. Se precisar, acerte o sal. Sirva quente sobre seu peixe assado preferido.

Em tempo: gosta de pinhão? Então entre na luta pela preservação da araucária, árvore belíssima da mata atlântica que está em vias de extinção pela ação de uns "desenvolvimentistas" lá do sul. Não gosta de pinhão? Entre na campanha também. Biodiversidade se constrói assim e é realmente desnecessário acabar com uma espécie para que os negócios cresçam.

19.6.07

Eparrê aroeira

Essa bolei passeando pelas gôndolas do supermercado, para entreter os convidados do jantar enquanto o restante era aprontado. Logo eu, que odeio supermercado...

Dip dill rosa
- Um pote de cream cheese, em temperatura ambiente
- 2 colheres de sopa de creme de leite, sem soro
- Pimenta rosa
- Dill fresco
- Massa folhada

Como já escrevi aqui, prefiro a praticidade da massa folhada: abra em uma superfície lisa e ligeiramente enfarinhada, corte em quadrados de 15 cm X 15 cm e leve para assar em uma forma untada ou antiaderente, em forno médio pré-aquecido, até crescer e dourar. Cuidado que é rápido, viu?

Enquanto os quadradinhos estão pegando uma cor, faça o dip: com a ajuda de um garfo, misture o cream cheese com o creme de leite até incorporar bem. Acrescente a pimenta rosa moída e várias folhinhas de dill a seu gosto. Prove e, se precisar, acerte o sal.

Sirva separado (como foi meu caso) ou monte os quadradinhos (como gostaria de ter feito), com um pouco de dip em cada folhadinho, coroado com uma pimenta rosa intacta.

18.6.07

Bem-aventurados

- Então, Lu, quer jantar aqui em casa? Resolvi cozinhar de verdade.
- Como assim? As outras vezes eram mentira?
Preparei um jantar bem gostoso no domingão, como há tempos não fazia, para receber amigos e embalar o papo. O cardápio foi:
Entrada: folhado com dip dill rosa
A janta propriamente dita: salmão com ervas e molho de pinhão + torta de batata, queijo e tomate (a salada foi dispensada)
Sobremesa: arroz doce portuga com azedinho doce
(Aos poucos coloco as receitas aqui.)
Depois, chá rooibos com palmiers.

Foi todo mundo embora feliiiiiizzzzzz... E hoje recebi senhor elogio:
Lu Coelho e os 11 dias diz:
vc me empazinou ontem! eu comi demais!

Cris diz:
empazinou... vou ter de ver no dicionário
Lu Coelho e os 11 dias diz:
hahaha
posso estar viajando na definição... minha mãe que sempre usa essa palavra
Cris diz:
é, no mini tem não
Lu Coelho e os 11 dias diz:
ah, tá certo
Lu Coelho e os 11 dias diz:
empanturrar
Lu Coelho e os 11 dias diz:
abarrotar


:) Coisa boa alimentar quem a gente ama. Né não?

Tamanho não é documento

Sempre faço essa receita, que peguei no Panelinha e descobri, mais tarde, que se trata da mesma receita que já tinha de bolo de laranja - só trocando, obviamente, o ator principal. Mas dessa vez queria fazer minibolos, porções individuais, três mordidas e finito. Sucesso absoluto!

Bolo de cenoura

Massa:
- 3 cenouras pequenas
- 4 ovos
- 1 xícara de óleo de canola
- 400 gramas de açúcar
- 300 gramas de farinha de trigo
- 1 colher de sopa de fermento em pó
Calda:
- 2 colheres de sopa de margarina culinária
- 1 xícara de chocolate em pó, sem açúcar
- 1 xícara de açúcar
- 1/2 xícara de leite

Acenda o forno em temperatura média e prepare as forminhas (ou unte e farinhe uma forma redonda, com buraco). Descasque as cenouras, corte em pedaços e jogue no liqüidificador, cruas mesmo. Junte o óleo e os ovos e bata até ficar uniforme.

Em uma tigela, junte os ingredientes secos, de preferência passados numa peneira, e misture. Jogue o creme de cenoura e mexa bem, com a ajuda de uma boa colher de pau. Preencha 2/3 de cada forminha, ou coloque na forma grande, e leve ao forno. Para checar se está cozido, espete um palito - se saiu limpo, está ok.

Enquanto o bolo está no forno, faça a calda de chocolate: coloque todos os ingredientes numa panela e mexa, em fogo médio, até começar a ferver. Abaixe o fogo e continue mexendo, até dar o ponto - quase como um brigadeiro, mas um pouco mais elástica. Passe nos bolinhos ou jogue no bolão enquanto tudo estiver ainda quente.

14.6.07

Pula a fogueira, Iaiá

No domingo, fui a uma quermesse perto de casa. Apesar de não ser católica, sempre achei simpática a idéia de comprar fichas e gastar naquele conjunto de barraquinhas, tocadas por voluntários, para ajudar a igreja a se manter. É uma boa ação, afinal, regada por comidinhas juninas que tanto adoro. Win-win.

Mas dessa vez fiquei bem decepcionada. Só havia duas barracas de jogos, então as crianças ficaram meio órfãs de divertimento. Na banca de doces, o olho cresceu no curau. Grande decepção: o milho passou longe e a maisena, perto demais. Trocamos o segundo potinho por qualquer outra coisa, indigna de nota. Paçoca e pé-de-moleque, só industrializados. Pelo menos o quentão era decente.

Fomos embora em pouco tempo, quando a moçadinha começou a chegar com seus cigarros e perfumes fortes - virou baladinha, veja só - e após ouvir o "mestre-de-cerimônias" fazer piadas duvidosas sobre a Parada Gay, ao som de um forró bem safado, pouco antes de a banda sertaneja tomar o palco, enquanto um grupo de voluntários gritava louvores no melhor estilo carismático.

Tudo tem limite, até o altruísmo.

Quentão
- 1 garrafa de cachaça
- 600 ml de água (ou menos...)
- 1/2 quilo de açúcar
- Casca de duas laranjas
- Casca de um limão
- 50 gramas de gengibre em pedacinhos
- Cravo da índia a gosto
- Canela em pau a gosto
- 1 maçã cortada em pedacinhos

Em uma panela grande, coloque o açúcar, as cascas, o gengibre, o cravo e a canela. Quando o açúcar estiver derretendo, jogue a cachaça e a água e deixe cozinhar por 25 minutos em fogo médio. Filtre e coloque a maçã. Mantenha aquecido, em fogo baixo, após o preparo.

12.6.07

Menu conquista

Que tal este cardápio?

Entrada: sopa de butternut squash e maçã com blue cheese
Prato principal: quiche de siri com salada (mixed greens, endívia, pêra, nozes, vinagrette de raspberry)
Sobremesa: pêssego e blackberry com calda de vinho e manjericão

Gostou? Veio da mente maligna de um homem que sabe muito bem o valor de um bom jantar cheio de cuidados para conquistar sua preferida. Ele mandou para este blog os detalhes do prato principal, caminho direto pro coração, via estômago, da amada. "Receita de uma revista que eu peguei na casa de mainha. Fica uma delícia mesmo, as nêga pira."

Inspire-se e corra para o supermercado, que ainda dá tempo. Um ótimo Dia dos Namorados para vocês. E seu Siriguejo que se cuide!

Quiche de siri
Massa:
- 350 gramas de farinha de trigo
- 150 gramas de manteiga
- 3 gemas
- 60 gramas de açúcar
- Sal
Recheio:
- 1 cebola picada
- 1 pimentão picado
- 1 colher de sopa de azeite de dendê
- 400 gramas de carne de siri
- 250 ml de leite de coco
- 250 gramas de queijo tipo minas frescal
- 5 ovos
- Azeite de oliva
- Sal e pimenta

Massa: coloque a farinha numa superfície lisa e faça um furo no meio. Junte a manteiga e mexa com os dedos, misturando até ficar uma massa esfarelada (PS: atenção que o autor dá uma ótima dica nos comentários!). Adicione as gemas, o açúcar e o sal e misture até a massa ficar homogênea. Faça uma bola, enrole em um filme plástico e deixe na geladeira por uma hora.

Recheio: leve ao fogo uma panela com azeite de oliva e refogue a cebola e o pimentão. Acrescente o azeite de dendê, a carne de siri e refogue bem. Junte o leite de coco e tempere com sal e pimenta. Deixe engrossar um pouco, junte o queijo minas, mexa um pouco, retire do fogo e deixe esfriar. A parte, numa tigela, bata bem os ovos e misture ao recheio frio.

Abra a massa com um cilindro (rolo de fazer pizza serve), forre uma forma do tamanho que você quiser (a receita sugere fazer vários pequenos, eu faço um só grande) e distribua o recheio. Leve ao forno preaquecido a 160 graus (forno médio) por 30 a 40 minutos.

5.6.07

De beiçada

Meu irmão, que tem uma mão ótima para cozinha, usa uma expressão que adoro: "de beiçada". É um equivalente para "no olho", mas que detalha uma fisionomia muito usada por cozinheiros de fim de semana: sabe quando você abre a panela e fica pensando se coloca mais pimenta, ou se deixa cozinhar mais, e os lábios vão se fechando automaticamente, vão se espremeeeendo, até virar um beiço? Poisé.

Tem gente, como eu, que ainda joga o beiço para um dos lados; tem gente que faz até um bico; outros ainda emitem um barulho pensativo: "Hmmmmm..." Pode reparar.

Dia desses, Paranthropus foi para Salvador num bate-e-volta, a trabalho. Ficou na casa da voinha dele (que mora, aiai, na frente da Baía de Todos os Santos) e trouxe, na bagagem, um pudim de tapioca. Não muito doce, fez nossa alegria por três dias.

Claro que implorei pela receita. Só que ele não anotou e diz que seria bobagem perguntar para a voinha. Ela realmente não saberia dizer quanto usa de cada ingrediente. Falta de memória?, você pensaria, devido à idade avançada. Nãão, longe disso. É que ela faz de beiçada mesmo. (Só não descobri ainda que tipo de beiço é.)

4.6.07

Miranda versus Charlotte

Trabalhei no fim de semana. De novo. Tinha planejado várias comidas boas para os dias gelados de outono, testando receitas antigas e novas com pinhão, para namorar bem muito e sobrar tempo para arrumar o armário e pendurar cortinas. Até comprei bateria para a câmera, para tirar várias fotos e mostrar os pratinhos aqui! Bom, tudo isso foi adiado - quase tudo, já que pelo menos consegui curtir o hominídeo um tico...

Enquanto me afundava no computador, a cozinha ficou nas mãos dele. Ele, como todo macho que se preze, começou com uma receita para dessensibilizados: curry verde. Não demorou muito e deixou aflorar seu lado fofs. Adaptou a receita de muffins do Bonalume, usou uma parte de açúcar mascavo para compensar a falta de açúcar branco e colocou pedacinhos de chocolate amargo. Ficaram bem moreninhos e gostosos!

Fiquei morrendo de tristeza por não compartilhar as panelas com ele. Minha única tentativa nestes dias, mousse de Nutella, deu errada: ficou mole e, depois de uma hora e trinta minutos de carro até a Cantareira, virou creminho. Ainda bem que Nutella é boa de qualquer jeito, e o almoço preparado pela chef Paula estava sensacional!

No feriado, não trabalho. Em princípio. Só espero não me frustrar novamente...

1.6.07

Lição de fonética

Em Joinville, toda panificadora que se preze tem schneck (ou shineck? ou chineq?) todo dia, o dia inteiro, meio como acontece com o pão francês em São Paulo.

Ouvi falar que existe um tal schneck francês, massa folhada com chocolate. Não é esse. Refiro-me a um bichinho que poderia ser um pão, mas não é; a massa lembra da cuca, mas não é - ainda que a farofinha em cima seja a mesma; deveria ser salgado, mas não é; também não é doce. É gordo, fofo e aceita tanto uma manteiguinha como uma geléia - pessoalmente, prefiro com melado.

É unanimidade como parte do lanche alemon - quando sai do forno, hmmmmm... Só o nome não goza da mesma facilidade. É schnek? xinék? chineck?